Pra quem busca o pensamento mais puro. Pra quem busca o desejo mais chulo. Pra quem sacia sua vontade de explosão compartilhando absurdos. A voz não é só barulho; é expressão, é sensação, é emoção, é ser eu, é ser tudo. A voz é genitora da palavra, e, a palavra é quem diz, é quem se cala, quem joga, dissimula, confessa, xinga, acusa e reza. Você é o que diz ou se torna aquilo que dizer, ilusoriamente ou não. Por isso não faço da palavra mais uma das banalidades cotidianas, ao invés de desferir provérbios, eu proverbio, sem acento mesmo, proverbio. Proverbiar nada mais é do que praticar sua própria proeficiência linguística, é colocar o máximo de si em suas palavras, sendo elas o cartão postal de seus pensamentos. No entanto, não é necessariamente falar o que pensa, mas sim pensar se o que falou faz parte de você, é ter consciência se o subconsciente embutido no que foi dito é realmente seu, é não ser o papagaio, mas sim o ombro.
Banalidades cotidianas, é nisso que estamos envoltos a todo tempo. Um diz que surgiu mais uma mulher fruta pra salada, outro que o irritante Rebolation que pertubou até os meus sonhos tem um hit sucessor, mais tarde recebo a bombástica notícia de que o grande Jacaré vai ser pai. No entanto, não vejo nada disso como banalidades, mas sim futilidades. Banalidades são as atitudes mais simples e espontâneas da alma no dia-a-dia . É o pensar alto, o falar sozinho, o xingar a si mesmo, dizer um palavrão involuntariamente. Banalidades não são ruins, só são banais. É aí que o proverbiar torna-se diferente da simples fala, pois esta é consequência dos fatos e inconsequente nos atos. Proverbiar vai além disso, é por verbo e pensamento em sincronismo, é torná-los simbióticos de forma a transcender o limite do simples dizer, é ter o controle do que é dito e ouvido. É ser tudo e ser só isso, é um hábito que não sei definir de modo preciso, só sei que não simplesmente falo, mas sim proverbio.
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