quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MEU CAOS

Adoro ter você por perto
Adoro ter você aqui
Adoro quando fala sério
Adoro ver você sorrir

Quando joga na cara
Você diz o que quer
Me provoca e na marra
Consegue o que quiser

Se pede com jeitinho
ou grita, tanto faz
Sempre escuto com carinho
Afinal, você é demais

Preenche o meu vazio
Me aproxima da tentação
Como um cobertor no frio
Esquenta meu coração

Simples assim
ou complicado demais
Quase parte de mim
Meu caos, minha paz

O espinho da flor
A pureza do mal
O prazer da dor
É você, meus caos

Só você me faz sorrir
Também sabe fazer chorar
É quem me faz sentir
Que também posso sonhar

Meu amor, seu amor
Meu alguém, seu ninguém
Não importa como for
Chama que eu vou

Meu caos, meu tudo
Você é meu mundo
Caminhando no escuro
Encontro você

sábado, 20 de abril de 2013

#pessoas

Pessoas irreais pensam ser o que não são, vivem num mundo ilusório. Pessoas falsas fingem ser o que não são, agem no campo da maldade.

Pessoas sinceras pensam aquilo que dizem, atuam com coerência. Pessoas insensíveis verbalizam todo pensamento, praticam a inconsequência.

Pessoas comuns agem como a maioria, a chamada previsibilidade. Pessoas normais não existem, pois ser pessoa já é a pura anormalidade.

Existem pessoas e pessoas, eis a tal da diversidade.

domingo, 16 de setembro de 2012

CADEIA DE FITA

Quais as consequências d'eu agir por impulso?
Se não tenho par, sou um todo avulso?
O que dirá se o pior acontecer comigo?
Já que não tenho amante, nem lar, nem abrigo?

Eu sou a força retumbante que surge
Sou a fera silenciosa que ruge
Sou o conteúdo prévio do relicário
Mas acima de tudo, solitário

Samurai soturno que vaga sem rumo
Combatente tolo que sua causa desconhece
Luta voraz mas mesmo assim sem prumo
Pois parece impossível achar o que merece

A vida transita, o tempo transita, tudo transita
Formam-se os pares todos lado à lado
E eis-me aqui nessa cadeia de fita
Onde continuo... abandonado.





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Discurso da Formatura do Curso de Letras - 30/01/2012


Boa noite a todos aqueles que hoje nos prestigiam com sua presença. Estamos aqui reunidos para escrevermos juntos a última página desta Epopéia acadêmica e celebrar a ascensão dos mais novos maestros da palavra, construtores de conhecimento e amantes da língua por natureza. E é com a sensação de empunhar a caneta com o peso da galhofa dos grandes mestres da literatura que tentarei descrever o que significa tal realização.
Parece que foi ontem: olhares afoitos, semblantes de ansiedade e o espírito de aventureiro que se atira em meio ao desconhecido radiante em cada indivíduo. Instaurava-se então a vivência e a convivência permeadas por impulsos; uns pela certeza do porque de estarem ali, outros pela necessidade de encontrar tal afirmação, mas todos envolvidos pelo ideal de fazer acontecer. Começávamos então uma mesma jornada juntos, passávamos a encarar o mesmo desafio de desbravar o universo das Letras e fazer deste nosso habitat natural, nosso templo, nosso lar e nossa fonte de força e inspiração, mas também o refúgio nos momentos de introspecção, onde a leitura foi a melhor amiga, aquela que acolhe, diverte e passa o tempo nos momentos mais amenos, não deixando de ser tirana, inconveniente e exaustiva nos ápices de estudos e pesquisas, mas que ainda assim não renegando tal amizade fez-nos crescer, seja como professores, estudiosos, pesquisadores ou na essência mais pura do ser humano.
Foram três curtos-longos anos, onde muito aconteceu, deixou de acontecer, não deveria ter acontecido ou aconteceu menos vezes que o desejado, mas o importante é que fizemos, desfizemos, refizemos e acima de tudo não deixamos de fazer. E nessa ciranda mágica de ações e reações teve um pouco de tudo, rotina, entendimentos, desentendimentos, laços sólidos de amizade nascendo, conflitos que vieram à tona, e entre um acontecimento e outro sempre havia tempo para encenar uma peça teatral, declamar uma poesia ou fazer uma apresentação musical. Tal magia fez o tempo passar diante de nossos olhos de tal forma que só o notamos quando olhamos para trás e conseguimos perceber o quanto andamos, o quanto mudamos, o quanto crescemos. Mas no decorrer deste processo a palavra magia teve seu lugar único e exclusivo no dicionário apenas, porque na árdua rotina de estudioso da língua e nos momentos mais áridos deste caminho as armas fundamentais foram dedicação, esforço e perseverança, seja de nós que completamos tal ciclo, seja por parte dos professores que com a grandeza dos verdadeiros mestres deram-nos todo o respaldo necessário para que pudéssemos galgar tal caminho com o máximo de segurança possível.
E hoje ao dar-se por consumado o ápice de toda essa trajetória inspiro-me num puro momento de epifania para juntar duas indagações de grandes mestres da literatura e perguntar ao íntimo de cada um de nós: “E agora, José?” “Valeu a pena?”. Pois bem, não só valeu a pena, como cada momento se fez válido e cada indivíduo pode mostrar seu valor, seja de forma mais explicita ou mais discreta, pois para quem tem a palavra como elemento crucial, até o silêncio não passa como algo mudo. Enfim, “não serei o poeta de um mundo caduco”, tampouco “cantarei o mundo futuro”, porque o mundo futuro começa pelos professores do amanhã, e os professores do amanhã são vocês meus colegas, somos nós. Porque ninguém se torna professor, tal feitio é um dom, um estado de graça, o título que recebemos hoje já é um brasão que brilha em nossas almas há tempos, e por isso, a partir de então independente se este será ou não o ofício oficial de cada um de nós, já somos por essência docentes na disciplina “arte da vida”.

Maurício Carlos Leite Pinto

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ode ao ser abstrato

Eu sou o povo, a prole, o poeta
A mente abstrata, poesia concreta
O soco, o sopro e a resposta certa
Sou o corpo fechado e a palavra aberta

Não é simplesmente distorcer (não)
Não é apenas disto ser (não)
É isso ver, isso viver
Pra mais do que ver e viver, compreender

Abstrato é o rótulo do retrato
Logo, refugado és tu agora
Que com padrões não há contrato,
Pois tudo é abstração pra visão de fora

Abstração,
Arbitrárias formas de condenação
Como podem eles lhes julgar
Se nem sabem de fato quem são?

Quem pode compreender-te?
Quem que tu compreendes?
Como pode a compreensão ver-te
Se nem tu mesmo se entendes?

Abstrato, distorcido e profano
Insensato, impulsivo e insano
Enganado pelo próprio desengano
És tu, magistral ser humano!

Maurício C. L. Pinto

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com o Machado na mão

Arrumava minhas coisas, muitas destas que eu nem lembrava mais que existiam. Revirava enfadonhamente a bagunça organizada que é meu cantinho do quarto, mas que para minha mãe era o caos e por isso deveria ser organizada, então eis-me ali embuído de tal missão. Concentrava-me do jeito que era possível nisto quando de repente deparo-me com algo inusitado (pelo menos pra mim): entre as minhas coisas encontrei um livro entitulado "Memórias Póstumas de Brás Cubas", escrito por Macahdo de Assis. Naquele momento me veio o mesmo súbito pensamento impulsivo de quando lia ou ouvia aquele nome: "Odeio Machado de Assis!". Foi então que me lembrei de onde viera o livro; lembrei que era uma doação, eu acho. Lembrei que já tentei lê-lo algumas vezes, todas resultantes em fracassos que podem ser traduzidos como sono seguido de cochilo por cima do livro. Realmente, aquilo não era para mim, era esse o pensamento que envolvia todos os outros relacionados a esse assunto. Foi então que me lembrei de outra coisa, lembrei do tempo da escola, da professora de português. Ela adorava Machado, ela só falava em Machado. Acredito que provavelmente era o único autor que ela conhecia. Ás vezes até imaginava a cabeça dela como uma sala vazia, onde ao centro estava o imaculado Machado ao lado da cadelinha Baleia, igualmente citada por ela, e só. Mas, o pior ainda estaria por vir. Ela adorava minhas redações e minhas poesias, e, me comparava constantemente com Machado de Assis! Era um carma que eu tinha que carregar. Era eu produzir qualquer frasesinha e, "Parabéns, futuro Machado de Assis", vinha escrito na folha. Não! definitivamente, não. Aquela "profecia" não poderia ser verdade. Realmente, escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer, e justamente por isso tal afirmação não poderia ser verdade, pois não estava em meus planos produzir livros-travesseiros, livros estimulantes do sono, nunca foi esse o meu estilo de escrita... eu acho.
Virei Machado de Assis cover agora? Que ideia! Não tenho nada a ver com ele, não poderia ter. É verdade, um dos maiores escritores brasileiros, mas não pra mim, acho o Maurício de Sousa bem mais legal. Acho Lourenço Mutarelli, mais legal. Ironia, se tem alguma coisa que gostava no Machado era a ironia. Todo mundo fala da ironia machadiana, e, não posso negar, é fantástica mesmo. E as temáticas? Ótimas também. Mas é só. Já elogiei demais para quem não gosta desse tal Machado. Escrever como se fosse um defunto-autor, um cara que conta sua vida depois de morto. Absurdo. Absurdo e genial. Realmente genial. Escrever uma história de amor onde há uma (suposta) traíção que até hoje é discutida como último capítulo de novela. Igualmente primoroso.
Mas não pensem que mudei de ideia, continuo odiando Machado, exceto sua ironia, que de certa forma vejo em minhas palavras também.
Peguei o livro, tirei a poeira de cima, de baixo e dos lados. Olhei fixamente pra ele por alguns segundos enquanto pensava o que faria com aquilo... o que faria com aquilo?