Boa noite a todos aqueles
que hoje nos prestigiam com sua presença. Estamos aqui reunidos para
escrevermos juntos a última página desta Epopéia acadêmica e celebrar a
ascensão dos mais novos maestros da palavra, construtores de conhecimento e
amantes da língua por natureza. E é com a sensação de empunhar a caneta com o
peso da galhofa dos grandes mestres da literatura que tentarei descrever o que
significa tal realização.
Parece que foi ontem:
olhares afoitos, semblantes de ansiedade e o espírito de aventureiro que se
atira em meio ao desconhecido radiante em cada indivíduo. Instaurava-se então a
vivência e a convivência permeadas por impulsos; uns pela certeza do porque de
estarem ali, outros pela necessidade de encontrar tal afirmação, mas todos
envolvidos pelo ideal de fazer acontecer. Começávamos então uma mesma jornada
juntos, passávamos a encarar o mesmo desafio de desbravar o universo das Letras
e fazer deste nosso habitat natural, nosso templo, nosso lar e nossa fonte de
força e inspiração, mas também o refúgio nos momentos de introspecção, onde a leitura
foi a melhor amiga, aquela que acolhe, diverte e passa o tempo nos momentos
mais amenos, não deixando de ser tirana, inconveniente e exaustiva nos ápices de
estudos e pesquisas, mas que ainda assim não renegando tal amizade fez-nos
crescer, seja como professores, estudiosos, pesquisadores ou na essência mais
pura do ser humano.
Foram três curtos-longos
anos, onde muito aconteceu, deixou de acontecer, não deveria ter acontecido ou
aconteceu menos vezes que o desejado, mas o importante é que fizemos,
desfizemos, refizemos e acima de tudo não deixamos de fazer. E nessa ciranda
mágica de ações e reações teve um pouco de tudo, rotina, entendimentos,
desentendimentos, laços sólidos de amizade nascendo, conflitos que vieram à
tona, e entre um acontecimento e outro sempre havia tempo para encenar uma peça
teatral, declamar uma poesia ou fazer uma apresentação musical. Tal magia fez o
tempo passar diante de nossos olhos de tal forma que só o notamos quando
olhamos para trás e conseguimos perceber o quanto andamos, o quanto mudamos, o
quanto crescemos. Mas no decorrer deste processo a palavra magia teve seu lugar
único e exclusivo no dicionário apenas, porque na árdua rotina de estudioso da
língua e nos momentos mais áridos deste caminho as armas fundamentais foram
dedicação, esforço e perseverança, seja de nós que completamos tal ciclo, seja
por parte dos professores que com a grandeza dos verdadeiros mestres deram-nos
todo o respaldo necessário para que pudéssemos galgar tal caminho com o máximo
de segurança possível.
E hoje ao dar-se por
consumado o ápice de toda essa trajetória inspiro-me num puro momento de
epifania para juntar duas indagações de grandes mestres da literatura e
perguntar ao íntimo de cada um de nós: “E agora, José?” “Valeu a pena?”. Pois
bem, não só valeu a pena, como cada momento se fez válido e cada indivíduo pode
mostrar seu valor, seja de forma mais explicita ou mais discreta, pois para
quem tem a palavra como elemento crucial, até o silêncio não passa como algo
mudo. Enfim, “não serei o poeta de um mundo caduco”, tampouco “cantarei o mundo
futuro”, porque o mundo futuro começa pelos professores do amanhã, e os
professores do amanhã são vocês meus colegas, somos nós. Porque ninguém se
torna professor, tal feitio é um dom, um estado de graça, o título que
recebemos hoje já é um brasão que brilha em nossas almas há tempos, e por isso,
a partir de então independente se este será ou não o ofício oficial de cada um
de nós, já somos por essência docentes na disciplina “arte da vida”.
Maurício
Carlos Leite Pinto
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