quinta-feira, 13 de outubro de 2011

MauMau - Sonhei

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ode ao ser abstrato

Eu sou o povo, a prole, o poeta
A mente abstrata, poesia concreta
O soco, o sopro e a resposta certa
Sou o corpo fechado e a palavra aberta

Não é simplesmente distorcer (não)
Não é apenas disto ser (não)
É isso ver, isso viver
Pra mais do que ver e viver, compreender

Abstrato é o rótulo do retrato
Logo, refugado és tu agora
Que com padrões não há contrato,
Pois tudo é abstração pra visão de fora

Abstração,
Arbitrárias formas de condenação
Como podem eles lhes julgar
Se nem sabem de fato quem são?

Quem pode compreender-te?
Quem que tu compreendes?
Como pode a compreensão ver-te
Se nem tu mesmo se entendes?

Abstrato, distorcido e profano
Insensato, impulsivo e insano
Enganado pelo próprio desengano
És tu, magistral ser humano!

Maurício C. L. Pinto

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com o Machado na mão

Arrumava minhas coisas, muitas destas que eu nem lembrava mais que existiam. Revirava enfadonhamente a bagunça organizada que é meu cantinho do quarto, mas que para minha mãe era o caos e por isso deveria ser organizada, então eis-me ali embuído de tal missão. Concentrava-me do jeito que era possível nisto quando de repente deparo-me com algo inusitado (pelo menos pra mim): entre as minhas coisas encontrei um livro entitulado "Memórias Póstumas de Brás Cubas", escrito por Macahdo de Assis. Naquele momento me veio o mesmo súbito pensamento impulsivo de quando lia ou ouvia aquele nome: "Odeio Machado de Assis!". Foi então que me lembrei de onde viera o livro; lembrei que era uma doação, eu acho. Lembrei que já tentei lê-lo algumas vezes, todas resultantes em fracassos que podem ser traduzidos como sono seguido de cochilo por cima do livro. Realmente, aquilo não era para mim, era esse o pensamento que envolvia todos os outros relacionados a esse assunto. Foi então que me lembrei de outra coisa, lembrei do tempo da escola, da professora de português. Ela adorava Machado, ela só falava em Machado. Acredito que provavelmente era o único autor que ela conhecia. Ás vezes até imaginava a cabeça dela como uma sala vazia, onde ao centro estava o imaculado Machado ao lado da cadelinha Baleia, igualmente citada por ela, e só. Mas, o pior ainda estaria por vir. Ela adorava minhas redações e minhas poesias, e, me comparava constantemente com Machado de Assis! Era um carma que eu tinha que carregar. Era eu produzir qualquer frasesinha e, "Parabéns, futuro Machado de Assis", vinha escrito na folha. Não! definitivamente, não. Aquela "profecia" não poderia ser verdade. Realmente, escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer, e justamente por isso tal afirmação não poderia ser verdade, pois não estava em meus planos produzir livros-travesseiros, livros estimulantes do sono, nunca foi esse o meu estilo de escrita... eu acho.
Virei Machado de Assis cover agora? Que ideia! Não tenho nada a ver com ele, não poderia ter. É verdade, um dos maiores escritores brasileiros, mas não pra mim, acho o Maurício de Sousa bem mais legal. Acho Lourenço Mutarelli, mais legal. Ironia, se tem alguma coisa que gostava no Machado era a ironia. Todo mundo fala da ironia machadiana, e, não posso negar, é fantástica mesmo. E as temáticas? Ótimas também. Mas é só. Já elogiei demais para quem não gosta desse tal Machado. Escrever como se fosse um defunto-autor, um cara que conta sua vida depois de morto. Absurdo. Absurdo e genial. Realmente genial. Escrever uma história de amor onde há uma (suposta) traíção que até hoje é discutida como último capítulo de novela. Igualmente primoroso.
Mas não pensem que mudei de ideia, continuo odiando Machado, exceto sua ironia, que de certa forma vejo em minhas palavras também.
Peguei o livro, tirei a poeira de cima, de baixo e dos lados. Olhei fixamente pra ele por alguns segundos enquanto pensava o que faria com aquilo... o que faria com aquilo?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Talvez fugir não seja a melhor opção

Tardei. Tardei, mas aqui estou.
Acharam que eu ia sucumbir.
Acharam que eu ia parar.
Acharam que sou só mais um.
Achei que pensaram que eu ia sucumbir.
Que eu ia parar.
Mas... eu sou só mais um.
Por que alguém acharia alguma coisa sobre mim?
Será que não sou eu que devia me achar?
Ou será que me acho demais pra achar que achariam alguma coisa de mim?
Não sei. Não sei, e pronto!
É muito achismo pra pouco certesismo.
Pelo menos é o que eu acho. É, eu acho que acho.
Bem, chega de tentar achar. É hora de encontrar, ser, produzir.
Pra isso aqui estou.
Tentei fugir.
Tentei negar a mim mesmo três vezes.
Mas pra quem traz dentro de si o impulso louco de agir, três vezes são muita coisa.
Não nasci pra ser um covarde. Com certeza, não. Tentei, mas, não.
É... talvez fugir não seja a melhor opção.
Opção?
Quem me deu alguma opção?!
Quem me mostrou alguma alternativa?!
...
Pensando bem, eu não dependo das alternativas nem das opções alheias.
Crio as minhas. Não é petulância não, é vida.
É vontade de viver!
Vontade de viver... vontade de viver...
Vontade de viver?!
Vontade de viver, não.
EU VIVO! Vivo do meu jeito.
Sobrevivo perfeitamente sem televisão.
Sou muito mais que um perfil no Facebook.
Não sou de plástico, muito menos de ferro.
Não sou perfeito, eu erro.
Eu erro!
Eu erro!
Eu erro!
Eu erro, mas eles são todos tão perfeitos.
Os da TV, os do Facebook.
Será que só eu erro?
Erro mesmo, e daí?
Sou livre, livre pra errar.
Ninguém manda em mim.
Eu erro o quanto quiser.
Ninguém manda em mim.
Faço o que me der vontade.
Se papai e mamãe deixarem, é claro.
Mas chega, chega disso tudo.
Com certeza fugir não é a melhor opção.
Mas, e dar de frente com o tudo dessa forma?
Não sei, novamente não sei.
Apenas não quero ser rótulado como mais um praticante da estupidez vã que guia os homens.
Não quero ser o indivíduo apenas.
Quero ser a voz que entoa em coro.
Pra que ser um, se dá para ser todos.
Todos. Todos juntos.
Se juntos, com certeza fugir não é a melhor opção.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Solidariedade

Esta história se passa num tempo que não se sabe quando, numa cidade que não se sabe onde, mas que era muito parecida com esta onde narro os fatos. Neste lugar as pessoas também não se falavam, não se viam, não se percebiam e não se respeitavam. Eram todos indivíduos individuais, compartilhando a mesma solidão coletiva. O tempo era frio assim como as pessoas, mas estas não o sentiam, pois desde que não se lembram mais, sentir tornou-se obsoleto. Foi então que surgiu o nosso monstro, a fera que viria abalar toda essa perfeição matemática. Diz-se que era uma senhorinha de cabelos brancos como a lista de perspectivas das pessoas daquele lugar, de voz sublime, quase silenciosa surgia do nada e nada dizia, apenas sorria perante o desfalecido, ajudava quem precisava de ajuda, consolava quem precisava de consolo, ouvia quem precisava de um desabafo, mas sempre e simplesmente sempre sorria, pois naquele lugar o que todos precisavam era essencialmente disto, para que voltassem a acreditar que a vida é muito mais que números, em especial monetários. Sua monstruosidade se dá justamente por ser o mais humano dos seres num lugar onde a existência humana nada mais é do que lacunas subsequentes misturadas a um pouco da falta de si mesmo e onde verbos são sempre conjugados na primeira pessoa do singular. Mas, ela pensava nos outros. Ela sempre pensava nos outros. Nunca se soube porque fazia isso, ela simplesmente fazia. Seu nome nunca souberam, mas a chamavam Solidariedade. Só que isso não passa de lenda, algo contado não se sabe quando e nem por quem, bem longe daqui. Pois, ajudar o próximo, pensar neste e perceber o real sentido de estar vivo são programações que não passam em nenhum canal de televisão, tampouco são moda entre as regras de convívio social, afinal, ser urbanóide não é nada além de assassinar a humanidade em cada pequeno ato pelo simples prazer de favorecer a si mesmo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Perfeição

Ela é perfeita! Parece que nos conhecemos há tempos, tem um sorriso lindo.
Ela mora em outra cidade que eu nem sei onde fica.
Ela tem uma filha.
Ela tem um namorado.
Mas mesmo assim ela é perfeita.
Ela diz tudo que eu quero ouvir.
Ela ouve tudo que tenho pra dizer.
Ela é perfeita.
Faz um mês já, tenho feito grandes planos. Quero-a comigo.
Ela tem um namorado, mas isso pouco importa. Posso convencê-la a mudar de cidade.
Ela tem uma filha, mas e daí? Podemos dar a ela irmãozinhos.
Podemos ter uma vida juntos.
Podemos ter um cachorro.
Podemos plantar uma árvore em frente de casa.
Podemos dar um almoço no domingo.
Podemos convidar o futuro ex-namorado dela.
Podemos falar sobre o que quiser.
Ela é perfeita.
Ela não me procurou mais.
Ela não faz mais questão da minha companhia.
Ela não compartilhou os meus planos. Faz duas semanas já.
Pensando bem, ela não é tão perfeita. Afinal, nos conhecemos há tão pouco tempo, e, seu sorriso nem é tão lindo, é normal.
Ela mora em outra cidade que ainda por cima eu nem sei onde fica!
Ela já tem uma filha! E mais, ela tem um namorado... Faz três anos!
Ela quase não fala mais comigo.
Ela não presta mais muita atenção no que tenho pra dizer.
Me enganei, ela não é tão perfeita.
Desfiz os grandes planos, nem eram tão grandiosos. Não preciso dela comigo.
Ela tem um namorado, e é tudo que importa. Tomara que eles fiquem em sua cidade.
Ela tem uma filha que provavelmente deve ter irmãozinhos!
É melhor continuar tocando a vida sozinho. Sozinho não, vou providenciar um cachorro, gostei da ideia do cachorro.
Não vou plantar árvore nenhuma, suja toda a calçada.
Vou sair pra almoçar na casa de alguém no domingo, sou um péssimo anfitrião. Pensando melhor, tenho que esperar ser convidado.
Estou bem sozinho, realmente ela não era tão perfeita.
Ela me chamou pra conversar.
Ela disse que tenho um sorriso lindo.
Conversamos por horas.
Ela disse tudo que eu queria ouvir.
Ela ouviu tudo que eu tinha pra dizer.
Ela é perfeita.
Contei a ela sobre meus grandes planos.
Ela não disse nada. Depois riu.
Ela não me procurou mais.
Faz uma semana já.
Pensando bem, ela realmente não é tão perfeita.
Ela nem se empolgou com meus planos.
Ela desapareceu.
Faz uma semana já.
Ela me procurou outra vez.
Ela comentou sobre os planos.
Ela disse que sou um sonhador, assim como seu namorado.
Ela diz tudo que eu quero ouvir.
Ela é perfeita...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Proverbio

Pra quem busca o pensamento mais puro. Pra quem busca o desejo mais chulo. Pra quem sacia sua vontade de explosão compartilhando absurdos. A voz não é só barulho; é expressão, é sensação, é emoção, é ser eu, é ser tudo. A voz é genitora da palavra, e, a palavra é quem diz, é quem se cala, quem joga, dissimula, confessa, xinga, acusa e reza. Você é o que diz ou se torna aquilo que dizer, ilusoriamente ou não. Por isso não faço da palavra mais uma das banalidades cotidianas, ao invés de desferir provérbios, eu proverbio, sem acento mesmo, proverbio. Proverbiar nada mais é do que praticar sua própria proeficiência linguística, é colocar o máximo de si em suas palavras, sendo elas o cartão postal de seus pensamentos. No entanto, não é necessariamente falar o que pensa, mas sim pensar se o que falou faz parte de você, é ter consciência se o subconsciente embutido no que foi dito é realmente seu, é não ser o papagaio, mas sim o ombro.
Banalidades cotidianas, é nisso que estamos envoltos a todo tempo. Um diz que surgiu mais uma mulher fruta pra salada, outro que o irritante Rebolation que pertubou até os meus sonhos tem um hit sucessor, mais tarde recebo a bombástica notícia de que o grande Jacaré vai ser pai. No entanto, não vejo nada disso como banalidades, mas sim futilidades. Banalidades são as atitudes mais simples e espontâneas da alma no dia-a-dia . É o pensar alto, o falar sozinho, o xingar a si mesmo, dizer um palavrão involuntariamente. Banalidades não são ruins, só são banais. É aí que o proverbiar torna-se diferente da simples fala, pois esta é consequência dos fatos e inconsequente nos atos. Proverbiar vai além disso, é por verbo e pensamento em sincronismo, é torná-los simbióticos de forma a transcender o limite do simples dizer, é ter o controle do que é dito e ouvido. É ser tudo e ser só isso, é um hábito que não sei definir de modo preciso, só sei que não simplesmente falo, mas sim proverbio.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Chegando - É só isso mesmo





"Não sou daqui, não me sinto parte integrante da obra, me vejo como um estranho num ninho de cobra". Emicida





Chegando não sei de onde nem pra que vim, mas já que estou aqui e não me sinto parte integrante desta obra decidi criar a minha, se será boa, ruim, visualizada, esquecida, repassada, discutida, não sei, o que sei é que será. E é só isso mesmo, pensamentos, reflexões, às vezes poesias e desabafos; se espera plena sensatez está no lugar errado. Estou para estar e ser o que tiver de ser, ver a beleza da vida até nos instantes mais sombrios e confusos, poder expor o que penso para aqueles que quiserem, espero que seja contribuição para algo ou alguém.
Inspirado pelas convicções que trago comigo há um bom tempo e que me mantém em pé combinadas com um pouco do que leio das músicas que ouço e de tudo que de alguma forma me influencia, mas isso não seria possível se não fosse a motivação e o incentivo dado por algumas pessoas (quem é sabe e desde já obrigado), realmente eu precisava fazer isto, ter este espaço, o qual só não iniciei antes por pura preguiça e por falta de um nome decente, o que de fato ainda não arranjei, mas o que está me satisfaz e por isso está bom assim. Tentarei postar coisas novas com certa periodicidade (nem sei se existe esta palavra), a cada dois dias, semanalmente, quinzenalmente, não sei, sempre que puder colocarei coisas novas.

Faço questão de desde já livrar-me de qualquer compromisso com as Letras nas quais estarei formado daqui a pouco tempo, pois não quero ser um auto-ditador que aplica sobre si uma repressão gramatical, o clima aqui é de liberdade. Liberto meus pensamentos para escrever qualquer coisa, mas não de qualquer jeito, essa é a ideia. Espero poder nas próximas postagens escrever coisas mais inteligentes que esta intro que não passa de um improviso, mas por enquanto é só isso mesmo.


Maurício