terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Discurso da Formatura do Curso de Letras - 30/01/2012


Boa noite a todos aqueles que hoje nos prestigiam com sua presença. Estamos aqui reunidos para escrevermos juntos a última página desta Epopéia acadêmica e celebrar a ascensão dos mais novos maestros da palavra, construtores de conhecimento e amantes da língua por natureza. E é com a sensação de empunhar a caneta com o peso da galhofa dos grandes mestres da literatura que tentarei descrever o que significa tal realização.
Parece que foi ontem: olhares afoitos, semblantes de ansiedade e o espírito de aventureiro que se atira em meio ao desconhecido radiante em cada indivíduo. Instaurava-se então a vivência e a convivência permeadas por impulsos; uns pela certeza do porque de estarem ali, outros pela necessidade de encontrar tal afirmação, mas todos envolvidos pelo ideal de fazer acontecer. Começávamos então uma mesma jornada juntos, passávamos a encarar o mesmo desafio de desbravar o universo das Letras e fazer deste nosso habitat natural, nosso templo, nosso lar e nossa fonte de força e inspiração, mas também o refúgio nos momentos de introspecção, onde a leitura foi a melhor amiga, aquela que acolhe, diverte e passa o tempo nos momentos mais amenos, não deixando de ser tirana, inconveniente e exaustiva nos ápices de estudos e pesquisas, mas que ainda assim não renegando tal amizade fez-nos crescer, seja como professores, estudiosos, pesquisadores ou na essência mais pura do ser humano.
Foram três curtos-longos anos, onde muito aconteceu, deixou de acontecer, não deveria ter acontecido ou aconteceu menos vezes que o desejado, mas o importante é que fizemos, desfizemos, refizemos e acima de tudo não deixamos de fazer. E nessa ciranda mágica de ações e reações teve um pouco de tudo, rotina, entendimentos, desentendimentos, laços sólidos de amizade nascendo, conflitos que vieram à tona, e entre um acontecimento e outro sempre havia tempo para encenar uma peça teatral, declamar uma poesia ou fazer uma apresentação musical. Tal magia fez o tempo passar diante de nossos olhos de tal forma que só o notamos quando olhamos para trás e conseguimos perceber o quanto andamos, o quanto mudamos, o quanto crescemos. Mas no decorrer deste processo a palavra magia teve seu lugar único e exclusivo no dicionário apenas, porque na árdua rotina de estudioso da língua e nos momentos mais áridos deste caminho as armas fundamentais foram dedicação, esforço e perseverança, seja de nós que completamos tal ciclo, seja por parte dos professores que com a grandeza dos verdadeiros mestres deram-nos todo o respaldo necessário para que pudéssemos galgar tal caminho com o máximo de segurança possível.
E hoje ao dar-se por consumado o ápice de toda essa trajetória inspiro-me num puro momento de epifania para juntar duas indagações de grandes mestres da literatura e perguntar ao íntimo de cada um de nós: “E agora, José?” “Valeu a pena?”. Pois bem, não só valeu a pena, como cada momento se fez válido e cada indivíduo pode mostrar seu valor, seja de forma mais explicita ou mais discreta, pois para quem tem a palavra como elemento crucial, até o silêncio não passa como algo mudo. Enfim, “não serei o poeta de um mundo caduco”, tampouco “cantarei o mundo futuro”, porque o mundo futuro começa pelos professores do amanhã, e os professores do amanhã são vocês meus colegas, somos nós. Porque ninguém se torna professor, tal feitio é um dom, um estado de graça, o título que recebemos hoje já é um brasão que brilha em nossas almas há tempos, e por isso, a partir de então independente se este será ou não o ofício oficial de cada um de nós, já somos por essência docentes na disciplina “arte da vida”.

Maurício Carlos Leite Pinto