terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ode ao ser abstrato

Eu sou o povo, a prole, o poeta
A mente abstrata, poesia concreta
O soco, o sopro e a resposta certa
Sou o corpo fechado e a palavra aberta

Não é simplesmente distorcer (não)
Não é apenas disto ser (não)
É isso ver, isso viver
Pra mais do que ver e viver, compreender

Abstrato é o rótulo do retrato
Logo, refugado és tu agora
Que com padrões não há contrato,
Pois tudo é abstração pra visão de fora

Abstração,
Arbitrárias formas de condenação
Como podem eles lhes julgar
Se nem sabem de fato quem são?

Quem pode compreender-te?
Quem que tu compreendes?
Como pode a compreensão ver-te
Se nem tu mesmo se entendes?

Abstrato, distorcido e profano
Insensato, impulsivo e insano
Enganado pelo próprio desengano
És tu, magistral ser humano!

Maurício C. L. Pinto

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